A sutil arte de envelhecer

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Certas reflexões vem com a idade. Colocar as cartas da mesa, na insegurança da adolescência, não é simples. Pra mim, não aconteceu. Mas abandonei a ideia de que é necessário de ter um phD para contar sobre aquilo que senti e sinto. Da minha experiência e ponto de vista, só eu posso falar.

A ilusão da perfeição e sucesso garantido é também uma forma de autosabotagem.

A grande verdade, que não queremos engolir,  é que nem mesmo o melhor planejamento não é garantia de nada. Se não estivermos confortáveis com a ideia de podemos sim fracassar não seremos capazes de realizar projetos ou mesmo errar com dignidade.

Queremos fazer algo tão ausente de críticas e tão sem espaço para melhoramentos que acabamos por não fazer nada.

É muito mais fácil e confortável ter êxito como promessa ou possibilidade do que falhar como projeto realizado. Enquanto ideia, somos invencíveis. Dar a cara a tapa e se jogar em um projeto que pode dar em nada é o grande desafio. E, justamente por isso, somos barrados em conceitos mirabolantes. Esperamos ter a formação x, o curso y e a capacitação z como forma de adiar um pouco mais a decisão de tentar.

São os sonhos incríveis que descrevemos na nossa cabeça, protegidos por etapas que não conseguiremos nunca cumprir, que nos protegem da realidade, não mensurada com base nas nossas loucas previsões lógicas.  O projeto é sempre um estrondoso sucesso na nossa cabeça em perfeitas condições de tempo e temperatura.

Mas o medo mora ao expor e colocar para fora nossas ideias, símbolos tão sensíveis da nossa subjetividade. Afinal, a vida pode não ser nada como esperamos.

Você tem alguma ideia, minha cara? Meu caro? Pois comece agora, com os recursos que você tem no momento. Não coloque barreiras que nem sequer existem para a realização dos seus sonhos. Busque as informações que você precisa e, acredite, existe alguma forma de cumprir sua missão já. Não amanhã, não no ano que vem. Agora.

As perfeitas condições de tempo e temperatura só existem na prova de física… do ensino médio.  

Existe algo que você, e só você, é capaz de criar. Mesmo que já existam 10 mil pessoas trabalhando em cima de um mesmo assunto ao mesmo tempo, só você é capaz de dizer a sua maneira. Não abra mão disso. É sua palavra. E alguém sentiria falta em ouvir. Mas acima de tudo, você sentiria falta de si.

Certas reflexões vem com a idade. Uma delas é a vida é muito curta para se esconder nos bastidores.

Nos primeiros anos de faculdade, ainda sem saber direito o que é jornalismo, um professor querido perguntou a cada um de nós sobre o emprego dos sonhos. E respondi que queria escrever na Rolling Stone. Eu, uma caloura inocente. Sem tecer nenhum comentário sobre as dificuldades de tal objetivo, ele sorriu e apenas celebrou a escolha.

Muito mais do que frases prontas da Lady Gaga, esse episódio, provavelmente pouco memorável a quem tenha visto a cena, me ensinou sobre a importância de acreditar.

Depois desse devaneio, só posso pedir que você, que chegou até aqui, apoie os projetos do seus familiares, amigos e colegas. Deposite confiança e ajude a aniquilar esse sentimento de “não suficiência” coletivo. É muito íntimo, mas aparece em vários aspectos, sempre nos relegando a posições menores do que merecemos.

É cliché, mas seja abudo. Porque você pode ajudar o outro a florescer. E seja semente, porque você guarda dentro de você a possibilidade de crescimento. Só precisamos dessa força, uma palavra amiga, para brotar.

E, Rolling Stones, se houver uma vaga sobrando aí… me contrata?

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