Autoestima além da imagem

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Tem uns dias que a gente se apaixona pela imagem no espelho. Quem é essa gata garota me encarando de frente? Eu mesma. Musa. Rainha. Sensata. Invencível. Nada pode me abalar. Se jogarem pedras em cima de mim? Construirei o meu castelo!

Tem dias que a gente acorda se sentindo só o bagaço. Melhor evitar o espelho. O pó-da-rabiola, sabe? Não, este texto não é daqueles motivacionais. Ou talvez seja. Mas eu entendo a sensação. Volta e meia eu estou nesse mesmo lugar.

As emoções oscilam. E isso se aplica ao que sentimos em relação ao nosso próprio corpo.

Vivemos em uma sociedade que nos mostrou várias noções do belo. É difícil praticar o desapego, mesmo quando essa é uma reflexão constante. Mesmo que eu saiba que o peso não define beleza, ainda sim é difícil me sentir bonita independente do peso. E isso gera um nó na cabeça… e na garganta.

É algo que não podemos controlar, mesmo quando nosso cognitivo racional nos informa que temos sim a nossa própria beleza.

Veja bem… escrevo sobre a minha visão de positividade corporal há uns bons 3 anos. E, por vezes, me sinto uma farsa. Eu realmente acredito em tudo aquilo que coloco no papel. Mas nem sempre eu me sinto a mulher maravilhosa empoderada.

A gente não se desprende de todas as camadas que construímos ao longo da caminho por causa de textão do Facebook. Mesmo quando a autoria é nossa.

Escrever sobre aceitação corporal não é sinônimo de aceitar-se o tempo todo.

Seria eu uma fraude? Entro em pane pelo possibilidade de julgamento de uma incoerência que é apenas humana. A situação, não rara, é a seguinte: sei de algo intelectualmente, mas me sinto de outa forma. Porque, afinal, hábitos antigos demoram a morrer.

Notar incoerências e incompatibilidades faz parte do processo de transformação, que não acontece em linha reta. Perceber-se triste, insatisfeito ou fazer algo por “pura” obrigação social faz parte da jornada. A consciência em si já é um ganho.

Eu me acolho. Posso sim guardar essas contradições dentro de mim. Aliás, mesmo que me fosse proibido, eu ainda guardaria. Faz parte da minha versão real, não idealizada pelo pensamento lógico que torna tudo tão simplista.

Eu não me sinto bem com o meu corpo 100% do tempo. Mas isso não muda minha posição como defensora de visão mais amorosa do corpo e dissolução dos padrões estéticos. Essa contradição reflete que absorvi: a imensa carga de informação sobre como deve ser beleza feminina. E essa “detox” é um processo lento.

Por isso, nos momentos de “crise”, eu mesma posso me aconselhar. Mas sinto que isso pode servir também a mais mulheres (e homens). Afinal, nossa própria desconstrução não precisa ser mais uma obrigação imposta.

Cada um no seu tempo.

    1. Perdoe-se por aquilo que você não sabe e seja mais compreensiva com seus próprios movimentos de mudança interna. A transformação não é linear, com espaço exato e previsível no tempo.
    2. Abandone a necessidade de ser perfeita e completa em todas as áreas da vida. Todos nós vamos falhar em algum ponto e isso, de maneira nenhuma, nos tira o mérito de nossas conquistas.
    3. Aprenda a reconhecer quais são suas qualidades, apesar dos seus defeitos. Eles coexistem!
    4. Compreender para transformar. Esse é um dos mantras que aprendi na disciplina de Psicologia durante a faculdade. Entender nossa própria história deixa espaço para que possamos nos tornar protagonistas e mudar a partir do agora. O que aconteceu não pode ser alterado. Mas é a partir daquilo que se inicia no agora que podemos dar um rumo ao que nos espera no futuro.

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