Aí está ele, me encarando com um olhar desafiador. No fundo do armário, um jeans azul que deve comemorar em breve 8 anos. Parece saber que me provoca e finge inocência. A peça leve pesa algumas toneladas na minha consciência. 

Penso em provar, mesmo sabendo o provável resultado. Minha mente ardilosa me faz essa sugestão insistentemente. Resolvi ceder. E minha teoria se torna a verdade que tentava ignorar. Já não serve mais.

A verdade, mesmo que conhecida, pode ser decepcionante. E eu não poderia deixar de me perguntar… O que fazer? Carrie Bradshaw prepararia um copo de água morna com limão e tomaria todos os dias pela manhã, assim como teoricamente fazem as modelos. 

Mas eu assisti esse episódio de Sex and the City e eu sei que não termina muito bem. Sem contar com o fato de que Sarah Jessica Parker era, e continua sendo, uma mulher magra como jamais fui.

Voltando para o agora, o meu corpo mudou. Aquela calça jeans não. Ela permaneceu a mesma. O irônico é que as mudanças já são esperadas. Seria muito estranho ver uma mulher de 27 com o comportamento de uma adolescente de 19.

Eu não quero ser a mesma pessoa de anos atrás. Ela entraria em uma calça 36. Eu não. Somos quase como duas pessoas diferentes e eu digo isso sem desejo de voltar. 

Mas ainda tenho a ilusão de caber nos mesmos moldes da forma física de anos atrás. 

A gente espera crescer. Mas ainda guardamos essa ilusão de que nosso corpo vai permanecer o mesmo. E mesmo se essa calça servir, você ainda é a mesma pessoa?

Guardamos, no fundo do armário, a esperança de que o zíper ainda feche, como se fosse prova de sucesso que o corpo continue o mesmo. Mas, como diria Belchior, o passado é uma roupa que não nos serve mais. 

Amar e mudar as coisas me interessa mais.

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