Encontro ruim

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Não existe pior encontro do que aquele com uma balança. Você a encara de longe, pensando se deve ou não arriscar. Talvez ela possa lhe contar algo interessante. Ou te condene a passar o resto do dia pensando: “onde foi que eu errei?”.

Engraçado, porque a única informação que ela nos diz é a força exercido pelo corpo pela ação da gravidade. Algumas, desreguladas, ainda contam mentiras sem tamanho. E, mesmo que seja a mais pura verdade, por que o fato de ter subido ali mudaria o rumo do dia?

Há aqueles que mantém as temidas no banheiro. É um sobe e desce semanal. E surge um grande pavor se os números mostram uma mínima diferença. Diferença, aliás, muitas vezes resolvida no simples sentar do trono.

Você só faz as pazes com a balança quando assina um decreto selando um acordo com o seu corpo, essa pele que habita. Os algarismos, quaisquer que sejam, voltam a ser um carácter de origem arábica que não tem valor. Pelo menos, não valor moral. Não mede caráter, bondade e gentileza.

Balança não é medida pra desespero. E, convenhamos, por que estamos preocupadas com um dado que pretendemos manter a sete chaves? E que a ninguém interessa?Melhor se preocupar com o número da nossa conta bancária.

Vamos encarar assim: balança é um dispositivo eletrônico responsável por identificar qual é o peso que um ser humano possui num dado momento. Não é o inimigo número um.

Não consigo pensar em nenhum outro animal que leva essa preocupação. E se for seu caso, caro ser humano, tão complicado e belo, lembre-se do ditado – que inventei agora. “Se pesa o peso da balança, parar de me pesar eu devo”.

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