Culpa é um sentimento negativo. Para um delito ou contravenção, passível de punição pelo Código Penal Brasileiro, cabe. Ao comer, não. A alimentação tem virado um jogo de restrições, vergonha e julgamento. E nós todos oscilamos entre réus e juízes.

Existem os alimentos imaculados, liberados a quaisquer tipos de crenças ou “evidências científicas”, que mudam mais rápido que coleção de fast fashion. Mas, cuidado! Essa lista tem ficado cada vez menor.

Carboidrato nosso que estais no céu (ou no inferno)! Em responsabilidade e comer com consciência, eu confio. Não ousarei colocar nenhum alimento sobre categoria de proibido, veneno ou similares. O pecado sempre traz uma curiosidade típica e dá as ações maior importância do que de fato tem.

Acredito em milagres? Não. É possível comer pizza – normal mesmo, com farinha branca e queijo com lactose – e não engordar ao mesmo tempo. Nenhuma gordura corporal saltará de imediato aos olhos por aquilo que se faz esporadicamente.

E de onde vem esse pavor todo de engordar? Será que estamos todos sendo indiciados? A balança irá nos redimir? Ou condenar a prisão perpétua?

Come-se também por prazer, pela comensalidade do ato e pela companhia daqueles que convidamos a mesa para brindar – talvez com vinho – a maravilhosa oportunidade que nos é dada de ter mesa farta e alguém para dividir.

Saudável é entender que uma mentalidade dualista sobre comida não ajuda em nada quem quer ser saudável. E que tudo é permitido dentro do espaço que merece.

Comer não é crime, mas não custa lembrar.

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