K de Kardashians

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Admiro o talento para os negócios. A família que construiu um império diante de algo digno de esquecimento. Como pode uma sex tape e um sobrenome render tanto? Em meio a escândalos, as Kardashians multiplicam fortuna.

Contorno facial, kit (e preenchimento) de lábios, inúmeras plásticas, chá “detox”, aplicativos e escândalos. Ah, não vamos esquecer da bunda premiada, fotografada e assegurada em muitos milhões de dólares.

Claramente, essa família entendeu o que faz sucesso nos últimos anos. Brinquei recentemente que são grandes sociólogas. Elas captaram a mensagem com perfeição: somos materialistas.

Imagem é o que importa mais. Notícias recorrentes é o que mantém as pessoas em evidência. Beleza e emagrecimento são áreas efervescentes e qualquer oferta que promete resultado imediato vira sucesso de vendas. Mesmo que elas mesmas tenham um time de profissionais, os melhores especialistas, e contato de cirurgiões famosos na discagem rápida.

O sucesso estrondoso das Kardashians denuncia tudo que está errado em nossa sociedade. A popularidade sem motivos e a curiosidade que temos é um guilty pleasure. Porque sabemos: não há nada que efetivamente acrescente.

Mas queremos dar aquela espiadinha.

Quer um exemplo prática da fórmula de um milhão de reais da família? Revenge Body, o programa de Khloe. Seu emagrecimento foi tão veiculado quanto era hostilizado seu corpo. Dos males, o menor: ela pode ter sido traído (sim, eu também sei o que acontece com o clã), mas segue “magra”.

Exploremos então a ideia do programa.

Um participante que tem questões a tratar sobre o corpo ingressa num programa de emagrecimento com estrelados treinadores e dieta restrita.

O objetivo é usar o corpo como prova de êxito para criar a “vingança” final. Ou seja, pessoas com autoestima baixa provando a outras, através da conquista do almejado: o magro. Preciso explicar o que há de errado com isso?

O ponto central é, no bom português, “esfregar na cara de alguém” a nova imagem obtida a duras penas. Alguém que tenha diminuída o participante de alguma forma.

Pega só a ironia: pessoas que eram hostilizadas pelo peso perdem peso para se vingarem do “bully”.

Fica até confuso colocar isso em palavras. É exatamente isso: investir tempo e esforço para me encaixar no padrão para mostrar o resultado a uma pessoa que me criticava ou não me aceitava justamente por não estar no padrão.

Não importa o discurso bonito de superação, força, foco e fé: é sobre imagem. E uma beleza que pode ser removida com água, sabão e demaquilante. Uma autoestima que não se sustenta sem um look montado sem especialistas.

Resumo: ainda é sobre pessoas marginalizadas tentando entrar no padrão e agindo como se isso fosse a maior glória que poderiam alcançar.

Pessoas tentando provar a outras que venceram ou se superaram fazendo exatamente o que se esperava delas. Reforça a fixação com o corpo, a necessidade fútil de vingança (mesmo que inofensiva).

Amigo, amiga! O boy te largou porque seu tamanho é maior do que ele idealizava? Perdoe o vazio alheio, chore, fique brava, bloqueie. Faça terapia.

Mas não dedique sua vida para transformar seu corpo para se vingar de alguém. Trabalhe essa questão de uma forma madura.

Até porque essa almejada beleza é passageira. O corpo muda. E aí? Voltamos a nos esconder em casa? Rezamos para não sermos vistos? Essa rotina intensa e dieta rígida… dura quanto tempo?

Autoestima baseada no corpo é muito frágil. O corpo em si é dinâmico. Nós vamos, se tivermos sorte, envelhecer.

Que possamos o fazer com graça e dignidade. E com o currículo cheio de vivência e conhecimento do que a conta bancária das Kardashians.

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