No cantinho do pensamento

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Falta humanas na Nutrição. Já devo ter escrito essa frase no começo, meio e fim de outros textos. Pra mim, é chover no molhado. Mas como a safra anda meio seca de profissionais que entendem isso, eu escreverei de novo e mais uma vez. Até que essa verdade seja digerida e se torne tão óbvia, quanto banal.

Enquanto não acontece, sigo repetindo que o comer é uma experiência econômica, financeira, psicológica, sensorial, social, cultural, individual, familiar. São tantas facetas que não caberiam em cálculo matemático, passível de transcrição, impresso e colado na porta da geladeira.

O que atrapalha um plano alimentar lindamente calculado? A vida. Que tem celebrações, tristezas, imprevistos. A vida que não sai conforme script ou planejamento, por melhor que seja.

A gente tenta encontrar, no caos e no cosmos, uma organização que nem sempre chega. Não cabe ao nutricionista julgar o paciente. Cabe a mediação do conhecimento técnico com a realidade individual de cada um. 

Sempre acreditei nesse profissional como um caminho para uma alimentação mais saudável de um jeito saudável, cujo vínculo é definitivo para o sucesso a estratégia escolhida por duas pessoas.

A consulta deveria ser uma espaço de encontro. Afetuoso, conciliador, gentil e seguro. Local de acolhimento que invoca autonomia e auto responsabilidade. São as relações criadas ali que sustentam a conexão necessária para que as mudanças sejam possíveis.

E nenhum progresso funciona de maneira linear.

Um paciente,quando “fura” seu plano alimentar, não desrespeita o trabalho individual do nutricionista. Ele pode apenas, imagine só, estar vivendo sua vida!

Até porque o tratamento dietoterápico não é sobre o profissional. É justamente o oposto.

Sem reflexão, sem um olhar mais profundo ao ser humano integral, poderíamos ser facilmente substituídos por um aplicativo qualquer. E esses ainda tem a vantagem da precisão, rapidez e disponibilidade.l 100% do tempo, enquanto durar a bateria.

Em apenas uma frase, eu aprendi muito sobre um sentimento humano que não pode ser substituído por máquinas.“Não tome como fácil a mudança do outro”. Não acredito que empatia seja “colocar-se no lugar do outro”. 

Entendo que, através do meu raciocínio lógico, sendo eu quem sou, não poderei entender jamais compreender plenamente a dor e sofrimento alheio. Mas posso respeitar e sentir junto.

E já que estamos falando sobre citações, finalizo com a clássica frase de Carl G. Jung, que pode até ser um clichê, mas resume nossa necessidade de abrir ampliar  percepções como uma luva:

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana.”

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