Novas masculinidades

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Somos formados pelo mundo a nossa volta. Aprendemos, por exemplo, que ser homem significa ser forte, poderoso, viril. Alguém grande, que domina tudo ao seu redor e ocupe espaço. Essa é a imagem que recebemos da correta masculinidade.

Chorar é coisa de menina. Falar sobre sentimentos idem. Na verdade, qualquer “fragilidade” é assunto do segundo sexo.

O esforço para abandonar ideias que já não servem é contínuo. Mas podemos ser surpreendidos por outro sentimento: nos culpamos por, de vez em quando, tentar repetir os mesmos padrões que tanto questionamos.
Questionamos os padrões de beleza, mas, sem perceber, estamos tentando nos enquadrar.

Precisamos perceber que esse é um processo, permeado por altos e baixos. Essa percepção é importante até para aliviar nossa culpa interna e termos mais paciência com nós mesmos (e com o outro).

Aliás, não vivemos sem o outro. Somos seres humanos. Vivemos em sociedade e temos no outro uma necessidade. Ser aceito é também um instinto de sobrevivência.

Tentamos nos encaixar nesse padrão porque queremos inclusão, aceitação, pertencimento. Algo extremamente humano e compreensível.

Mas agora vem a parte em que precisamos colocar essa questão sob a perspectividade da mudança. Para repensar nisso, o primeiro passo é responder uma pergunta. Longe desses estereótipos ligados a forma física e dominação, que é, afinal, ser um homem?

Eu vejo, e digo isso sob olhar feminino (e feminista) que tenho, que a maioria ainda segue bem perdido nesse aspecto. Enquanto uns querem mudar, outros reafirmam com cada vez com mais veemência seus estereótipos.

E nesse mundo fitness? Se para a mulher, a necessidade é de ser a mais magra possível, para o homem, existe a necessidade inventada do “fica grande, porra”.

Homem tem que tomar whey pra ficar grandão e mulher comer alface pra ficar bem magra.

Em ambos os sexos: insatisfação crônica. Mesmo quando a meta atingida, dobra-se a meta.

Interessante notar que esses estereótipos, como nossos corpos devem ser, têm muito a ver com figuras representativas de cultura midiática. Muitos homens (e mulheres) tem seus ídolos, suas referências para o que é um corpo bonito.
Um desvio rápido para as referências femininas. Modelos, Kardashians, Gracyanne Barbosa: cada grupo mira em um super-herói diferente.

Logicamente, as blogueiras fitness se encaixam nesse rol de pessoas. E diria que algumas nutricionistas também se tornaram referência de perfil estético.

É possível implementar uma rotina que aproxime seu corpo ao de Pugliesi ou de seu marido? Provavelmente. A questão é: o que perderíamos mais com essa escolha? E será que o que eu ganho vale a pena? Ficaria efetivamente satisfeita?

Podia ser a gente, mas preferimos a pizza do final de semana.

Sai um pouco da pauta para falar de um ponto de vista próprio. Mas sei que para os homens a cobrança também existe. Não é à toa que vigorexia, esse desejo patológico de se tornar cada vez mais forte, já é uma doença reconhecida pela psiquiatria.

Exercício físico é fundamental para a vida. Uma alimentação equilibrada também. Mas assim é também a nossa saúde mental, as nossas relações para sociais e outros aspectos que vão além do visível aos olhos.

Sempre falo isso: estamos muito atrelados a questão material nessa sociedade. Damos excessivo valor a forma física. Isso se projeta no nosso cuidado com a saúde. Ela ganha um sentido raso de cuidado com o corpo físico. E só.

Homens e mulheres: para que? Por quem? Por que a gente quer tanto um corpo com 12% de gordura? Por que a gente sai da academia e fala que está pago? Estamos devendo para quem? Quem está cobrando?

São muitas vozes que foram internalizadas. Precisamos mandar elas se calarem.

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