O jantar não vem grátis

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Na foto, uma mesa de madeira com cadeiras também de madeira, posta para o jantar com duas velas acesas ao centro.

Essa é a frase que melhor define o livro de Marion Nestlé, professora aposentada da Universidade de NY. Em “Uma Verdade Indigesta”, a pesquisadora discute sobre as perigosas relações entre a indústria da alimentação e a ciência.

Os pesquisadores produzem ciência que engrossam o rendimentos dos patrocinadores.

É um jogo fácil de explicar. Os pesquisadores precisam de financiamento para suas pesquisas. E as grandes transnacionais tem em caixa o capital para investir. 

Isso vai desde a PepsiCo e Coca-Cola, Mas também inclui alimentos da qual ninguém desconfia, como banana, abacate e lentilhas.

O fato de alimentos in natura precisarem de um empurrãozinho do marketing científico apenas evidencia o papel do nutricionismo. Esse termo pode ser explicado como uma ideologia alimentar na qual não importa o alimento, mas sim seus nutrientes.

E, se por um lado é possível entender o papel dos nutrientes positivo sobre a descoberta das vitaminas e minerais, principalmente na identificação e tratamento de possíveis carências, também permitiu um erro: tomar o todo pela parte.

Os ultraprocessados, salpicados de vitaminas, ganham espaço em nossas casas, sob alegações no mínimo suspeitas e em embalagens coloridas. 

A Coca-Cola quer que você faça exercícios… desde que não pare de comprar e consumir suas péssimas bebidas açucaradas, que consistem em uma mistura barata de água, açúcar e um tanto de aditivos. 

Seu intestino só precisa de danregularis de Activia, Danone, para funcionar.

O danoninho vale por um bifinho.

Como diria Michael Pollan, a adição de micronutrientes é uma tentativa da própria indústria de corrigir um problema causado pelo próprio processamento industrial de alimentos.

Inception!

Vez ou outra, o tiro sai pela culatra. Como é o caso do mel que não apresentou benefícios comparado ao açúcar. 

O curioso é que mesmo os pequenos presentes, como canetas e pastas, podem conduzir os cientistas a uma visão mais positiva de empresas. A ciência é, afinal, feita por humanos. 

O conhecimento é o poder que nos permite fazer escolhas esclarecidas. Livres da influência de quem deseja apenas aumentar o faturamento. 

Uma dose saudável de ceticismo é aconselhável. O princípio básico de alimentação balanceada não é assim tão complicado, como tantos cálculos sugerem. 

Na dúvida, fique com a simplicidade da regra de ouro do Guia Alimentar para População Brasileira, documento hostilizado pela indústria e uma luz na saúde pública:

“Prefira sempre alimentos alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados”.

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