O vendedor de bacias

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Eu nunca tive que vender bacias. Mas hoje, enquanto ia a ao cinema, eu vi um menino, provavelmente com seus 15 anos, carregando um espécie de carrinho de mão com bacias.

Na volta do cinema, vi esse mesmo menino, dessa vez em outro local, carregando o mesmo carrinho de mão com bacias.

Olho para o menino e vejo como o mundo é desigual. Em plena quarta, um menino vende bacias, enquanto uma pessoa, do alto dos seus 27 anos, vai ao cinema, compra seu ingresso em cadeira SuperSeat, se senta confortavelmente e se emociona no ar condicionado assistindo Turma da Mônica.

Ainda mais longe na linha do tempo, talvez eu só tenha ido e me emocionado justamente porque eu tinha acesso aos gibis, tempo e, por consequência, a oportunidade de melhorar minha leitura.

Agora me vem a  pergunta: o que é mesmo meritocracia? É de comer? Esse menino merece puxar o carrinho? Eu mereço ir ao cinema?

E eu… Não seria patético acreditar nessa fábula do vencedor e permitir que minha consciência permanecesse intocada, enquanto o menino segue empurrando o carrinho ao sol?

A meritocracia seria legal demais. Se existisse. Mas eu nunca tive que vender bacias.

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